verseverso

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

a palavra pode
palavra no pódio
palavra sem pudera

palavra-pudesse
poderio de palavra
que a palavra poda

poderia a palavra
em palavra que podia
mas que não pôde

palavra que possa
poder tal palavra
a palavra posseidon

palavra quando puder
palavra que poderá
e poder-se-á palavra

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

a nau no agora inaugural
ondas onde ainda
cascos secantes
intrinsecam-se
ínterim e som

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

homens em osmose
em como se comem
homos incomodam
cômodos com seus modos

eellaas salivam de evas
garanham como éguas
damas adãs ou lésbicas
dão-se e se levam

a
um @
roubado

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

dar fala
à palavra que cala
ao dar-se em si
dita e feita
contexto inconteste
como aqui

terça-feira, 27 de outubro de 2009

nós
e o nosso aumento
no cimento
nasce
nesse momento
nascimento

domingo, 25 de outubro de 2009

salmos
sem mais
sem menos
semínimas
e o sêmen mina
sem mira
do seminarista
Onam sum

notívago
vago
note
estado e movimento

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

moda moenda moeda
o amiúde da mídia
em mnemo de ameba
um molde de mundo
démodé é o meu amuo

domingo, 11 de outubro de 2009

a faca entra fácil
fio entre faces
adaga em como adentra
e desgarra do que rasga
calafria como em fúria
sem freio que a faça

dizer um dízimo
e dizimar o indizível
diz mais de mim mesmo
do que o que me dizem

ao menos não me contradigo

diz aí o que dizes
enquanto eu aprendiz
perdigo entre perdizes

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

rir o riso
ser isso
do sorriso
réu sem juízo

ser rido
e rir disso
rir de ré
e sem sentido

rir derriére
do cerne do osso
ao reumatismo

a carne ri
em carniceria
do sério ria-se

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

o ator
atura
o ato

atira-se
torta em si

e entorta
a tortura

o encontro atroz
por um triz

domingo, 6 de setembro de 2009

logo a lógica biológica
a largar o lugar

ali onde o lúmen desliga
e míngua o algo de alguém

algum amálgama de mágoa
alma no fim do aluguel

terça-feira, 11 de agosto de 2009

o suicídio
dá-se assim
o assédio
o assíduo
o dissídio
do teria sido
dizer enfim

segunda-feira, 6 de julho de 2009

saber a morte
não pode

pudera

o sábio em vida
pondera

terça-feira, 2 de junho de 2009

eu sul
da américa
do sol

riso austral
opithecus
não nego

latinitude
longe de tudo
solstício a sós

sine qua non
o que a dor
equador

quinta-feira, 21 de maio de 2009

o algures
onipresente
ao cúmulo

lugar-comum

quarta-feira, 20 de maio de 2009

a sabiá
que eu saiba
nunca saberá
a soberba
sabida sabiá
tão sábia
só sabe assobiar
sibila
sibila sabiá

sábado, 9 de maio de 2009

tomo a palavra à força
forjo o que lhe é fome
o seu aço em fuga
do fogo-fátuo do uso

escorraço esse discurso
à perda do rumo
passo que sem espaço
recusa-se espasmo

segunda-feira, 16 de março de 2009

minhas linhas
nas tuas
tiram tinta

siamesas
em si mesmas

entrelinhas
do abalo sísmico

segunda-feira, 9 de março de 2009

puta da cara
a gostosa goza
o gosto da coisa acesa
a carne presa na fivela
a sandália sobre a mesa
o riscado da biscate
a denúncia na pronúncia
o flash os olhos fechados
o fastio de uma safada
no sossego do seu facho

segunda-feira, 2 de março de 2009

mereço o amor
que te merece
maior esmorece

se já não eiro
fervo à beira
do mormaço

ao brio desmaio
jejuo em jus ao olho
que te gosta

se te lembro
ou te cubro
não me lembro

te desembrenho

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

converso comigo a esmo
construo uma ponte pênsil
entre o que sinto e o que penso
atravesso o sentido impreciso
da fresta do pensamento
amotino-me dentro do possível
afago o inefável com as palavras que dizimo
dispendo meu tempo num pêndulo
momento íntimo de movimento

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

meu caráter
caricato
nem quatro quilates
aquilata
meu caro

quebro-o
quid pro quo
e aquilo
que dilapido
vendo barato

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

deitada na pele
a sombra mais negra
em máximo contraste

tatuagem

um ponto de vista
com foco no eterno
anteparo da carne

a flor
do éfe ao éle
como um verbo
reverbera de flora

mas a fauna
a colhe
como um nome comemora

é o homem

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

escrevo morte em vida
o rapto réptil
de um projétil
minha escrita na cripta
termina o projeto

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

ponho cursiva
a pornografia
na pauta da putaria

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

bebo um riesling
sorriso no living
sozinho avio vinho
um beijo de língua
há onde havia
lava e alívio
me beduíno
bêbado do potável
oásis do infinito

sábado, 18 de outubro de 2008

o poema em lance
de corta-luz

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

que sinédoque
é ad hoc assim
que da sina
dá-se o nunca
da sinuca
do todo que parte?

sábado, 11 de outubro de 2008

uma tez
num matiz
nem matisse

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

meto fora
a metáfora
e meto a fúria
e meto o faro
há muito em mim
na meta mínima
- meta-mímica -
da metonímia

existo
exo ist
com êxito

logo ex-isto
só ex-it
exit

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

voilà
a violência
violácea
do neon
viola ácida
na voltagem
o v.u. e o nú
violão

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

aquiesço
a isso aqui
que eu quis

a esse sexo
a sós que sim asssim

nasci e cognosci nessa língua
a elegi minha e é minha a elegia
a mim deu-me molde e domínio
minha mente é sem mímica
mago beijo a lábia dessa magia

domingo, 14 de setembro de 2008

filio-me ao meu filho
num elo vitalício
soou pai

o sono insônia
só no insano;
o sonho sanha
assim o são;
o som soa

lipo a inspiração e áspero
pulo o quântico desse salto
em pérola de um ostracismo estético

sentimento tanto
que sentido sem ter

terça-feira, 2 de setembro de 2008

vela ela lá a
e apagar o ar pagão

a luz a azula

sábado, 30 de agosto de 2008

anteontem até ontem
e antes outrem
ou outro ente
ante a mente tonta
do meu enquanto
no entanto tempo

a bunda da vagabunda
vaga sempre ocupada
qual biscate à cata do bis
coitada

ventre ventríloquo
vento lá dentro

o arrego ao rego
o descarrego
o córrego

sábado, 2 de agosto de 2008

somos como somos
como cromossomos
como consumamos
o consumo humano
somos como começamos
comes como homens
e como moços
e como se fôssemos
somos de carne e osso

nascença
non sense
na essência

a dádiva
ávida
da vida

quinta-feira, 31 de julho de 2008

a glande e o gládio
do gomo no pomo
e o colmo;
o gole do golpe
a galope;
a goma ganha
do golfo que afoga

a papoula
papila
e pupila

a pele péla
e o pêlo
pílula

humanidade
uma ida ao nada
unanimidade
uma unidade
uma manada
uma nada

perdão
verbo pidão
que perde-se
em nome da perdição

simulacro
sem o lacre
sem a lágrima

uma música
uma musa que
uma isca

sábado, 7 de junho de 2008

sinto muito mas
é sintoma
o muito que sinto
e assim me toma

meu íntimo
me intimida;
mitigo o mítico
que há muito me minto;
meu time é comigo,
mentira que admito;
meu ego que me demita.

cerejas imóveis
páram o doxo
no móvel de cerejeira

segunda-feira, 26 de maio de 2008

é radical
erradicar-me
e radicar-me no erro
pela raiz do radicchio
e radicchi caule
e rádio e níquel-cádmio
e Radamés Gnattali

domingo, 4 de maio de 2008

eu, quarando
ao quando,
quarenta
e quanto,
quântico,
aqüando
enquantos
eu aquarelo

a forma
em formol
conteúda
contuda
amorfa
formula

eu contigo
e contíguo

o definido
definha
e fim de

segunda-feira, 7 de abril de 2008

ser só sói
se sois a sós,
senhores,
seres-esses
e-erres
a ponto de
senhorias

terça-feira, 18 de março de 2008

o dia-a-dia
dia a dia
diadia
adia
ia

poesia alguma toda prosa

uma tattoo até o intacto
periferia pelo períneo
tua agrura guria
e ali alegria
doía e sodomia
déjà foie gras hamas
sadia de mais quista

segunda-feira, 10 de março de 2008

olhe é ele
o olho alheio
olhe-o olhe-o
um eu olha ali
ó-lhe

sábado, 16 de fevereiro de 2008

mor:
um maior
menor

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

outrora
mais-que-perfeita
em seu pretérito

sépia espécie
de espécimes
no espaço
a homo sapiens
homens passam
pássaros
por onde passaram
passos

letra iliterata
literis ipsis
o ipsilon

domingo, 27 de janeiro de 2008

o lapso colapsa

lado alado
no aplauso

o pouso da pausa

letra quando lateja
lantejoula a jóia
e depende em pêndulo
lapidarmente dor

domingo, 20 de janeiro de 2008

contemporâneo
contém comprando
com tempo ânimo
têmpora e crânio
in corpore sano
incorporando tanto
o cômputo romano
contem por ano

cacete
exocet
calibre
a excalibur
ex cultro

antero-posterior
do antepasto ao postre
o antes e o depois

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

uma imagem vale mais
que mil palavras
uma imagem com palavras
imagina só
pois só as palavras
entre si são imaginárias

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

poema a título
sentido
sem ______
se não tido

síncope:
cinco pés
ou ciclope?

assine símile
sismógrafo
de si mesmo

sábado, 5 de janeiro de 2008

sexo
exo-endo
eixos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

palavra que, quando
soletro, solerte,
solto as letras;
azo areias de ampulheta,
alheio-as silo e silhueta.

eu, curitibandinho,
contínuo;
diminuindo gerúndios
apresento-me.

belisca o olhar
e mordisca a vista;
visgo na isca, pisca
e faz-se pesca

flerta
e faz que quer
do faicheclair a flecha
e fecha

sábado, 24 de novembro de 2007

a alquimia
da que mia
quer minha
química
de mau-elemento

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

apostos
a postos
apostas
postas e
opostas

domingo, 30 de setembro de 2007

morte-dívida
termotemormote
todavida
maternotérmino
praeternidade
fraturafraterna
faturafutura

note a nota
ser a nata
da serenata
no labirinto
do bailarino

nunca assim
num cassino
um caça-níquel

elvis em vegas
estrela vega
alva e brega

turno
diurno
diuturno

agravo ao brio
do embriagado:
briga ou agrado

coalho
co'a coalizão

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

livrar-me
do livramento
do livro,
ventríloquo,
dizendo-me
mímica e química
de ventrículos

o fac-símile
faz-se no mínimo
verossimílimo

simples-fácil
qual flauta-verbo
e verso-vértebra

ictis ictis ictis...

o ipsis litteris
verbatim
da vera-efígie

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

um algoritmo
algo íntimo
e algum ritmo

domingo, 19 de agosto de 2007

proxy
o prolixo pro lixo
(.zip or r.i.p.)

sábado, 18 de agosto de 2007

cilício e sílica cítrica
no acrílico do cristalino
ácido acetil-salicílico

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

o infinito em faniquito
afinal afina
a fim de um fim

---------------------------------------

flor-de-lis
delícia floral
de cílio lilás

se for lida
florida
diz aliás

aflora de ali
e do Lácio a flora em si
ás

---------------------------------------

triste em riste
arriscaste um risco
e arrastaste um rastro
no rosto

rasgaste a rusga
e rasuraste o rasgo
do ríspido
e riste triste

---------------------------------------

a quem o amém
amaina a alma
(imã da calma)
o amálgama
a palma em palma
(a pá de cal
e o sal na salva)

adeus sem ode
(disse odisseu
(disso odisséia))
zeus seus deus teus

quinta-feira, 26 de julho de 2007

econômico
como um único
e canônico
como um ícone

comunico

comigo como inimigo
combino o ambíguo
com o meu umbigo

domingo, 22 de julho de 2007

toda ato e atitude
lá do alto e altitude
salto alto e tudo

quinta-feira, 12 de julho de 2007

é que no cio
o que é nosso
é equinócio
que no ócio
é aqui no ósseo
eqüino sócio

domingo, 8 de julho de 2007

genes gênese
sujeito sujeito
ao sui generis

okinawa
aqui a nau
o que na água

jazigo do riso ou jacuzzi?
o jazz acusa e jaz a causa

caso já outra coisa haja
já era jazer a ojeriza

domingo, 10 de junho de 2007

homem hetero adúltero
heterônimo ad aeternum

sábado, 9 de junho de 2007

futebol fútil?
refute a bola
quem chute
kichute no balde

debate pronto

sexta-feira, 8 de junho de 2007

palavras
lá pelas várias
umas e outras
sumárias

sábado, 2 de junho de 2007

imagine eva
imagem de vagina
dando a adão
e deus

atitude
beatitude
altitude

disparar disparates
aos ímpares
de para

disparos díspares
ante a disparada
de anteparos

quinta-feira, 31 de maio de 2007

eu vago
duas vogais
em voga

segunda-feira, 28 de maio de 2007

boa a bola
e logo o gol
glória
agora a gala
da rima lágrima

sábado, 5 de maio de 2007

pelo meu texto
ímpeto de incesto
palimpsesto

silente
saliente
sente?

quinta-feira, 3 de maio de 2007

respeitável público

abc
ábaco

o número da letra

terça-feira, 1 de maio de 2007

incenso aceso
acento
ascendo

segunda-feira, 30 de abril de 2007

ócio
ofício
orifício

nada
dna
n.d.a.

domingo, 22 de abril de 2007

estou
estio
esteio

sábado, 21 de abril de 2007

surubins
surubam
surucucus

curti bem
curitibas
cús tíbias
cortinas
cúrias tímidas
curvilíneas

quarta-feira, 18 de abril de 2007

serviço
sevícia
sirva-se

domingo, 15 de abril de 2007

arrepio
o cupido esculpiu
rodopio no pau
piu de piá

sábado, 14 de abril de 2007

dátilo
didático
pterodátilo

a forma
conforma
o escambo
conforme
descamba
o escambau

ais e tais
einstein
eisenstein
aí está

segunda-feira, 9 de abril de 2007

uma minúcia
mínima
minha

fim de dia
finda fidúcia
fidedigna

sábado, 7 de abril de 2007

voz na vazante
a gota esgota
o colírio da cólera

a gaita gaiata
colore o acorde
da guitarra

o prato em pranto
acode ao chorus
e coda

terça-feira, 27 de março de 2007

nisso ouço tiros
cinco e trinta latidos
latrocínio?

sábado, 24 de março de 2007

grafite
grafia
grafiato

quinta-feira, 15 de março de 2007

sax &
a sexy
sioux

fixin'
a foxy
sphynx

she's ky
shhhh
xxx

six a.m.
I'm
sick

quarta-feira, 14 de março de 2007

meu bem-querer
tirando teima
de bem-me-quer
tira bota deixa ficar

terça-feira, 13 de março de 2007

a devida
vaidade
de vadia

melhor cola velcro
que amolece cancro

solto ao vento
a sotavento
me vendo solto
dissolvendo-me

viés de vez
o invés ao revés

revés de viés
ou o invés da vez

segunda-feira, 5 de março de 2007

fleuma
flâmula
inflama

domingo, 4 de março de 2007

o ar arara
e areia aranha
o rio arraia
a rinha marinha
e a água enguia

sábado, 3 de março de 2007

aborto
broto
absorto

sexta-feira, 2 de março de 2007

retirare
retraire
reiterar

domingo, 25 de fevereiro de 2007

álvaro
avaro
vara o
ovário
de elvira

vírus

avaria
varia vário
o desvario

varíola

comum
como um
com um
quorum

comunidade

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

curitiba por ti,
poty, me quista

prisma que exprime
seu visgo na vista

vê-la e tê-la visto
eternamente artística

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

avulsa
avença
avanço

domingo, 21 de janeiro de 2007

(curitibanas I)

largo da ordem
(a lei discorda)

quem dorme acorda
e ladra e morde


(curitibanas II)

dê-me o que urge
e demiurgo
que da matéria
me demeterco


(curitibanas III)

guri, ainda piá,
no barigüi e no tanguá
eu tibagi de ti
e tupi em guarani


(curitibanas IV)

prá minha vó
venda é negócio.
trocar um foco
fosco é uma troca
tosca, singela,
de vinte velas.


(curitibanas V)

meu pão com vina,
dona, não é dog,
dogão sem dono;
é dogma, digo,
curitibano.

domingo, 7 de janeiro de 2007

uma a uma
o hímen é do homem

mal-amadas
putas patrulham a pátria

mães gentis gemendo a gente nas madrugadas

puta que o pariu!
parem de nos parir que a putaria pára

cheia de nove horas
mas sete oitavos
é meia de meia nove

de costas ou de quatro
não é cós de catzo
mas quase coisa casta

é filme mudo dublado
por dublê de boca
com lábia de lábio

e a saliva latina
calígula a língua
felação na cunilíngua

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

olho óleo
oliver
ver-se corno pelas próprias córneas

helen
ela nele e ele nela
no horto das oliveiras olavo

pelo palavreado das palavras
o apelo e o pólen
a polêmica

senão outrossim
só sinônimos sem ânimo
soçobro incólume do poema

gago do agrado
avangardo

alargo o gargalo

gárgula
gargalho

púbico público
___cupido pouco pudico
lúbrico

___rubrica libido rubra

bulida
___bulímica mímica
mínima da menina

militante limite
limítrofemilícia
limitâneo mílite
milico-limitante

meu universo é um verso único
ambíguo no que unívoco evoca
única forma que deforma a f/ô/rma
átimo do átomo em seu último ato

meu gesto é um indigesto índice
sumária c/ô/rte em corte sumário
veredito vário do cerebelo ser belo
plêiade plena no plenário planetário

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

memória rara
em mármore carrara

lágrima

no olho o entalhe
do carmin na carne

domingo, 24 de setembro de 2006

falo do eufemismo de fato
fac-símile
da fêmea fome que afemina o esfíncter

do através travesso
que atravessa atrás
e travessia

da lascívia em vias de alívio
impassível ao passo
à posse
ao potássio

do suplício do viço
vício do sevício início
"submission"

da fissura da curra
surra em núpcias de puta
da busca da bússola

covarde
cor verde
cor vagem
coragem

ovo
óbvio
oblívio

aviar palavras
receitar-lhes a não-prescrição
e dar-lhes alta

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

livro, espelho opaco
onde leio imagens
que me vêem à margem
enquanto quanto quantum
quanta e me encanta

por um menor poema
pormenor
por menor que seja

mais prezo
o que menos
que o mais
menosprezo

poema feito.
verso de efeito
à causa de certo feito.
erro raro e rarefeito
que de fato é defeito.

cacto estocástico,
estoco estacato.
cáustico, eustáquio,
e cuzco e cuzco e cuzco
até que estocolmo o catzo,
acústico, escolástico.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

língua estilingue
na alça de mira
o bodoque
a setra
o acerto do tempo

sexta-feira, 9 de junho de 2006

dado ouvidos
dê de ombros
ou de dedo

o ouvidor
dedica
ao ombudsman

segunda-feira, 5 de junho de 2006

sós
soslaio
s.o.s.

domingo, 28 de maio de 2006

sp
aspa

spa
asap

p.s.
aspone

estupro
estupor
XXX troppo

terça-feira, 16 de maio de 2006

vige
virgem
vixe

domingo, 14 de maio de 2006

o que
que o
quê u?

e que
a que
quê i?

ó quei...

o u à
pê que pê!

segunda-feira, 1 de maio de 2006

o passado passava
como agora

passou como a uva passa
que como agora

estou passado
sozinho na ágora

sábado, 22 de abril de 2006

paralelo risco, rastelo.
vida, morte severa.
corpo, febre e cãibra.
roça e reco, réquiem.

cruz-credo.

fá-lo-ia ou fá-lo-á
farinha ou farelo?

quarta-feira, 22 de março de 2006

quisto
desquite
quites

domingo, 19 de março de 2006

gueixa
esguicho
guichê

quinta-feira, 2 de março de 2006

ao monge grunge
vengeance
menos pinge que tange

unge ao longe
e tinge Stonehenge
em mélange

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

vi no
vinho
vino

vim ou
viña
veio

vinha
veia
viva

uivo
vivo
uva

vini
vidi
viti

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Ops, Quéops, macaco velho, Al Qaeda escada
Cofiou o cofrinho café de Quéfren
E pagou sozinho mico no pó de Mikerinos.

Quimera gípsea come-quieta, a esfinge que não viu nada
E abre aspas em árabe cedeeéfe Gagá ijota!
Caemeéle enéope queerre esse teu vedábliu, chisipsilonzé!”

REARRANJO DE POESIA______________A Décio Pignatari
______________________________“Poesia Pois É Poesia”

1. Forma/matéria

pois eis, poíēsis!
é-me dia de pose em poesia.

é psi, são -ópsias e, na sinopse, passeio.
pois é... pãesio... a poesia põesia!


2. Matéria/forma

__________poíēsis poíēsis
_____poesia de em em de poesia

poesias n poesias poesias n poesias
____poesia poesia poesia poesia

DEVORTEIO DE VÓRTICE

devaneio deveras...
____o devir devolve
_________o déjà-vu,

___________devagar...

_________a devenir,
____de visu devorteio,
the jazz view...

terça-feira, 22 de novembro de 2005

edito e acredito
que dito o dito pelo não dito
ao erudito

sábado, 19 de novembro de 2005

sigo o signo
___consigo consigno
______sino

Pound
persona de Piercing
Sussurra

amanhece o dia em seis dioptrias.
uma bicicleta de vidro estaciona no rosto;
nos aros das rodas vítreos esgarços de águas-vivas.

no pay-per-view grátis da janela
centopéias de skate, centenas de pés recolhidos.
baratas assalariadas em seus rolimãs de subida,
com seus crachás de catracas, por onde encalacram suas vidas.
no céu, avaro de atraso, um escaravelho em sua libélula,
um cuspe sem pára-quedas,
uma tatuagem de ameba seca na passarela.

__a
___minha
________voz
___________é a foz
_______alma
__minha
da

meu canto é o que me encanta
no meu_______________canto
quando________________(só)

eu fico r o u c o
pois o canto não é pouco

alma e sopro de tão___soltos
fazem o corpo dar um n
___________________ó

e se me calo é porque só
s__u__s__p__i__r__a
o pensamento

a__v____o______z
se esvai no vento
e no silêncio
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a alma
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dói

SENTIDO O GOZO

Gozar à luz do dia
À luz de velas
Alucinadamente lúcido
Diluir as sombras

Gozar ao som que soa
Ao sopro do corpo
Assustadoramente solto
Silenciar as ondas

Gozar ao sentir o fogo
Evaporar o sangue
Aceleradamente tonto
Congelar no tempo

Gozar ao sabor do vento
Ao sabor da vida
Incessantemente sossa
A temperar a morte

Gozar ao disputar teu corpo
Contra tanto espaço
Assintoticamente tátil
Desaparecer no vácuo

O GRAFITE

noite e dedo
no beiço da válvula
chia o silêncio
grã-fina-se
e feito efeito
o espreita na parede

I. IDEAL

ah, se minha boca fosse mídia eu mudaria a massa,
se meus versos, notícia, postá-los-ia numa coluna
Prestes à conquista da linha; se minha loucura
tivesse ao menos laica verossimilhança fátua aos
efeitos humanos, fálica sangraria, e não virgem,
e o dano domini estaria nos calendários dominós.

II. REAL

ah, se dez dedos só até dez contassem, e não réis
em contos, se eu não sentisse dez em dez medos e, seios,
só os soubesse dois a dois, cinco dedos em cada e mãos
dadas à causa da única união, assim, nem mesmo férrea
alguma testa seria expiatória de qualquer
minha para comigo inconseqüente traição.

TITULO
_______________________a Paulo Leminski

sem ação e sem assunto
estalactito

foi-se o que quer que fosse

pagino & capitulo

BATE O SINO

um bate-boca do badalo com a borda
ou não senão o sino
que na dúvida deita
e dobra?

cabeça ocre que a cabaça abarca
ou tão somente o som
que tem o oco do cobre
que acaba?

o eco do ataque que com o tempo
aquieta
ou tal e qual nasal
como o homem onomatopaica?

2 1/3

certo excerto
um de sete terços
me excita

cito exceto um
os sete sutras
cítaras cicutas

escutas do et cetera

S&M

gozo e guizo algoz
sadomaso cascavel
no gêiser gel

no rebolo da corte
o coiote coito
a corte cor

uivo e guizo
corto pico gozo e sinto
-me muito bem


 
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